Brasília
Ação Pela Paz acompanha iniciativas do Recomeçar e agenda na SENAPPEN no DF
Visita reuniu encontros com pessoas privadas de liberdade, egressas, gestores públicos e representantes do governo federal para conhecer experiências que ampliam oportunidades de reinserção social
Por Marcos Ferreira e Maria Luisa Ohl
A atuação do Instituto Recomeçar, apoiado pelo Instituto Ação Pela Paz desde 2018, tem se consolidado como uma importante referência na assistência à população egressa do sistema prisional. Ao longo de 2025 e 2026, representantes do Ação Pela Paz visitaram as iniciativas desenvolvidas pela organização em São Paulo, Pernambuco e, mais recentemente, no Distrito Federal, durante agenda realizada nos dias 7 e 8 de maio.
Na capital do país, Julia Guilmoto, coordenadora de Projetos do Instituto Ação Pela Paz; Maria Luisa Ohl, analista de Projetos e especialista em programas para pessoas egressas do Instituto conferiram as ações promovidas pelo Recomeçar junto a pessoas privadas de liberdade, pré-egressas, recém-egressas e seus familiares.
Os encontros in loco fazem parte do calendário do Método de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ações (MADA), que visa a aproximação do time do Ação Pela Paz aos projetos apoiados pela organização. Desta vez,
Diferentemente da atuação desenvolvida em outros estados, no Distrito Federal o Instituto Recomeçar trabalha diretamente com pessoas que ainda cumprem pena, acompanhando seu cotidiano e processo de preparação para a liberdade. Essa proximidade é possível porque a organização está instalada no principal local de trabalho dessas pessoas, fortalecendo o apoio durante uma etapa estratégica da trajetória de reintegração social.
O Recomeçar DF está sediado nas dependências da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), entidade responsável por planejar, executar e fiscalizar obras públicas, além de realizar serviços de manutenção urbana. Atualmente, cerca de 300 reeducandos são contratados pela companhia por meio da Lei de Execução Penal, com intermediação da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap-DF), e recebem acompanhamento da organização.
Os trabalhadores atuam em diferentes frentes, de acordo com seu nível de escolaridade e habilidades prévias, desempenhando funções nas áreas de manutenção, construção civil e administrativa. Entre as atividades realizadas estão a limpeza de bocas de lobo, o recapeamento asfáltico, a manutenção de viveiros, o plantio de mudas e o apoio em rotinas administrativas.
Durante a visita, os estagiários de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), que atuam diretamente os beneficiários do projeto, promoveram, no prédio da Novacap, o “Papo de Recomeço”, uma roda de conversa voltada a egressos e reeducandos do regime semiaberto, criando um espaço de escuta, acolhimento e reflexão sobre os desafios da reintegração social.
Além dos atendimentos e acompanhamentos realizados pela organização, um dos destaques observados na imersão foi o investimento em melhorias estruturais dentro do sistema penitenciário por meio de verbas pecuniárias — recursos provenientes do pagamento, em dinheiro, de penas determinadas pela Justiça.
Ao decorrer da agenda, foi realizada a cerimônia de reinauguração da Ala H do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), revitalizada a partir de uma dessas iniciativas. A solenidade contou com Guiliana Sidrin Brito, líder regional do Recomeçar; Leonardo Precioso, fundador da organização; Dra. Leila Cury, juíza titular da VEP; Dr. Eduardo Guerra, diretor do CPP; Dra. Vanessa Farias, promotora de justiça, Dr. Wenderson Souza e Teles, secretário da administração penitenciária, além de outras autoridades do sistema de justiça, representantes da Seape, policiais penais, as representantes do Ação Pela Paz e os estudantes da CEUB.
Para Maria Luisa, “ver de perto o impacto das ações do Recomeçar junto às pessoas privadas de liberdade, egressas e suas famílias nos convida a refletir sobre o papel coletivo da sociedade na construção de caminhos que reduzam a reincidência e ampliem as possibilidades de recomeço”.
Ainda no Distrito Federal, a comitiva foi recebida na Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) pela coordenadora-geral de Cidadania e Medidas Penais, Dra. Cíntia Rangel Assumpção. Na reunião, foram debatidos desafios e possibilidades para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à população privada de liberdade e às pessoas egressas do sistema prisional.
“A visita do Instituto Ação Pela Paz reafirma a importância da articulação entre o Poder Público e a sociedade civil para fortalecer projetos que geram oportunidades, apoiam a reintegração social e contribuem para a redução da reincidência”, destacou a Dra. Cíntia.
Leonardo Precioso também ressaltou a relevância da parceria entre diferentes setores. “O trabalho conjunto evidencia a importância da articulação entre instituições e reforça o compromisso com a ressocialização e a promoção de oportunidades reais de reintegração social”, afirmou.
Relatos de superação pessoal apresentados pelos beneficiários dos projetos apoiados evidenciaram a importância do trabalho desenvolvido. “São iniciativas que demonstram, na prática, que a reconstrução de trajetórias exige escuta, responsabilidade compartilhada e compromisso com a dignidade humana”, pontua Cíntia Rangel.

