Reunião de abril

Programa SEMEAR discute resultados das iniciativas e amplia diálogo com a Funap

Iniciativa já impactou mais de 40 mil reeducandos e reúne parceiros para discutir avanços na ressocialização

Publicado originalmente no site do TJSP (aqui)
Editado pela redação do Ação Pela Paz

Integrantes do Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando (SEMEAR) participaram, na terça-feira (15), de mais um encontro realizado no Espaço Abrahão e Rosa (conheça mais do local aqui), sede do Instituto Ação Pela Paz, em São Paulo.

A reunião foi conduzida pelo gestor do programa e coordenador da Coordenadoria Criminal e de Execuções Criminais (CCrim) do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Luiz Antonio Cardoso, e pela diretora executiva e cofundadora do Ação Pela Paz, Solange Senese. O encontro contou com a presença de representantes de instituições públicas e privadas parceiras da iniciativa.

Na abertura, o desembargador Luiz Antonio Cardoso destacou a importância da equipe envolvida para o sucesso das ações. “Tudo isso só dá certo com uma equipe bem preparada e disposta a desenvolver o trabalho”, afirmou.

O magistrado também informou que estão abertas as inscrições para o curso “Conselhos da Comunidade: fundamentação normativa, formalização e efetividade”, promovido pela Escola Paulista da Magistratura (EPM), que será realizado nos dias 13, 20 e 27/04. Você pode acessar o link aqui.

Imagem: divulgação
Imagem: divulgação

Em seguida, Solange Senese apresentou dados atualizados do programa. Segundo a diretora, a última aferição aponta que 82,5% dos participantes do programa não reincidiram.

Desde 2015, o SEMEAR desenvolveu cerca de 1,3 mil projetos em 159 unidades prisionais, impactando diretamente mais de 40,7 mil reeducandos, 5,7 mil egressos e cerca de 500 servidores. “É gente de todo o estado e, muitas vezes, de outras regiões, todos interessados em participar de um grande programa do Tribunal de Justiça”, afirmou.

De acordo com a diretora, os dados indicam que, quando 6.718 pessoas não retornam ao sistema prisional (equivalente aos participantes de projetos com mais de 80% de recuperação), os impactos são significativos para o Estado. Há uma economia estimada de aproximandamente R$ 874 milhões, valor equivalente à construção de oito presídios (considerando R$ 100 milhões por unidade com 768 vagas), além de uma redução de R$ 172 milhões por ano nos custos de manutenção dos reeducandos, com base no gasto mensal de R$ 2.140 por pessoa presa. Os números também apontam para um aumento da segurança pública no Estado de São Paulo, resultado da maior efetividade do sistema prisional. Ao longo de oito anos, 12.036 pessoas não reincidiram, evidenciando que já existem caminhos consolidados para ampliar esses resultados.

Solange aproveitou o momento para explicar o processo da aferição da reincidência criminal, agradecendo o apoio do TJSP e do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI) da SAP, representado pelo coordenador Renato Bini.

Foto: Michel Mota | Ação Pela Paz
Foto: Michel Mota | Ação Pela Paz

A segunda parte do encontro foi dedicada à retrospectiva das atividades da Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (Funap) em 2025. O diretor executivo da entidadeMauro Lopes dos Santos, apresentou resultados como a produção de 17 mil móveis escolares, a reforma de 14 mil peças de mobiliário e a confecção de 149 mil unidades de uniformes.

Ele também destacou a parceria com a Defensoria Pública para prestação de assistência jurídica e a implantação de novas oficinas em unidades prisionais do interior paulista. “A ressocialização está prevista na Lei de Execução Penal e é um dever do Estado. Dispomos de estrutura e maquinário, mas é fundamental contar com profissionais capacitados para viabilizar a formação”, disse.

Os diretores da Funap Paulo Henrique Coltre (Comercialização) e Alexandre Rodrigues Cabrera (Atendimento e Promoção Humana) abordaram ainda a quebra de paradigmas com iniciativas que utilizam a internet nas unidades prisionais, além de cooperações técnicas e parcerias voltadas à qualificação profissional e à cultura.

“A área de leitura cresce de forma contínua. Neste ano, contamos com 26 parcerias. Em 2025, 43 mil pessoas foram impactadas por projetos da área e implementamos 28 espaços específicos para leitura”, afirmou Alexandre Cabrera.

Foto: Michel Mota | Ação Pela Paz
Foto: Michel Mota | Ação Pela Paz

SEMEAR – Criado em 2014 pela Presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e pela Corregedoria Geral da Justiça, em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e do Instituto Ação pela Paz, o SEMEAR busca ampliar a efetividade na recuperação de pessoas privadas de liberdade e de suas famílias.

Por meio da articulação com a sociedade civil, prefeituras e entidades parceiras, o programa promove a ressocialização de sentenciados que cumprem pena no Estado de São Paulo, com atividades educacionais e laborativas, além de ações integradas voltadas ao aprimoramento do cumprimento da pena.

A iniciativa também incentiva a criação de estruturas que ofereçam oportunidades de trabalho e ensino, contribuindo para reduzir a reincidência e o retorno ao sistema prisional.

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