Saúde feminina

Projeto entrega 1 mil absorventes reutilizáveis para reeducandas de São Paulo

Iniciativa da ONG Passarela Alternativa teve apoio do Instituto Ação Pela Paz
Reeducandas durante entrega dos absorventes - Foto: divulgação
Reeducandas durante entrega dos absorventes - Foto: divulgação

“Não tem mais como falar em necessidades mensais das mulheres sem pensar em qualidade, saúde, sustentabilidade nos ciclos e, também, no caminho que esse descarte é feito até ser desovado”. A frase é de Karen Brandoles, estilista e fundadora da ONG Passarela Alternativa, numa entrevista em julho deste ano (veja matéria completa aqui).

Na época, Karen estava no meio das atividades do “Abiosorventes”, projeto apoiado pelo Instituto Ação Pela Paz que capacitou egressas e familiares com ensinamentos em corte e costura e empreendedorismo – o segundo ministrado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) através de uma parceria. 

Um dos resultados dessa movimentação foi um desfile com as peças criadas ao longo do treinamento, no qual as próprias participantes foram encarregadas de irem para a passarela apresentar o look. O outro fruto desse trabalho foi a confecção de absorventes reutilizáveis. As peças foram desenvolvidas por cinco mulheres que compuseram o programa. A execução dessa tarefa foi remunerada, gerando renda, além do aprendizado de um ofício.

No último dia 2 de dezembro, representantes desta iniciativa estiveram no Centro de Detenção Provisória Feminino de Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo. A visita teve como objetivo a entrega de 1.000 absorventes, feitos de tecidos laváveis. A doação contemplou os cinco raios do CDP.

Além de Karen, participaram da entrega a ginecologista Mayara Abdul, Adriana Cássia, egressa que esteve presente em todo o processo envolvendo a criação das peças, Kaio Nunes, analista de projetos do Instituto Ação Pela Paz, e dois voluntários que estão montando um documentário independente sobre o projeto e seu impacto.

Karen Brandoles e reeducadas - Foto: divulgação
Karen Brandoles e reeducadas - Foto: divulgação

Conhecimento e saúde

Durante a ação, 20 reeducandas participaram de uma palestra sobre a saúde feminina, com o intuito de replicar os conhecimentos às demais. O encontro trouxe dicas de como utilizar e cuidar das peças, além de trazer respostas para questões sobre menstruação, fluxo, higiene, entre outros pontos.

A médica ginecologista, Dra. Mayara Abdul, conduziu o debate com as mulheres em cumprimento de pena, esclarecendo dúvidas e explicando como identificar possíveis alterações nos ciclos, além de orientações para prevenção de doenças.

Para Karen, a participação de uma especialista teve um papel fundamental no momento da entrega, explicando com muita clareza e de um jeito fácil de compreender. “O resultado foi surpreendente. Uma agente penitenciaria que nos acompanhou disse: ‘Elas gostaram muito, deu para perceber pelo comportamento. Vocês precisam voltar mais vezes’”, destaca.

O saldo positivo também foi medido por quem foi responsável pela criação. “A equipe ficou impressionada com o valor e interesse que elas manipularam os abiosorventes. Elas realmente gostaram e entenderam a proposta”, lembra a líder do projeto.

Geração de renda contínua

As cinco capacitadas escolhidas para continuarem apoiando no projeto, costurando os absorventes para doação, seguem atuando na confecção capitaneada pela ONG. Atualmente elas geram renda por meio de encomendas realizadas por empresas. 

A Passarela Alternativa, junto às participantes, está levando os itens criados nas oficinas para feiras especializadas e de variedades. Além dos absorventes reutilizáveis, a organização comercializa dois modelos de camisetas com três estampas diferentes, que são integralmente produzidas pelas beneficiadas que realizaram um curso de estamparia.

Todas as peças também podem ser adquiridas na loja online da própria instituição (aqui).

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