Ação pela Paz - Iniciativas da Penitenciária de Capela do Alto atenderam mais de 200 reeducados em dois anos

Multidisciplinar

Iniciativas da Penitenciária de Capela do Alto atenderam mais de 200 reeducados em dois anos

Unidade prisional reliza quatro projetos com o público em privação de liberdade em 2022
Projeto "Descobrindo uma Profissão" - Foto: divulgação
Projeto "Descobrindo uma Profissão" - Foto: divulgação

O acesso ao ensino profissionalizante, conhecimentos de música, manuseio da informática e ainda a participação em iniciativas de cunho psicossocial deveria ser comum a todos os cidadãos, mas a realidade foge bastante desse ideal. Situação ainda mais grave para pessoas em privação de liberdade, mas há exceções com total condição de se tornarem regra.

A Penitenciária de Capela de Alto, cidade do interior paulista, é um exemplo positivo de que educação, arte e mundo do trabalho podem ser acessíveis a todos. Entre agosto de 2020 e setembro de 2022, a unidade realizou 10 edições de projetos multidisciplinares que ajudaram em diversas áreas da vida dos beneficiários, tanto durante o cumprimento de pena, quanto na preparação para o retorno à sociedade. Os trabalhos contam com o apoio do Instituto Ação Pela Paz, por meio do SEMEAR*.

“Descobrindo uma Profissão”, atualmente na quarta edição, propõe aos participantes conhecer uma nova forma de trabalho, levando técnicas para corte de cabelos. O desenvolvimento do conhecimento dentro do estabelecimento penal os prepara para apostar na carreira quando ganharem liberdade, atuando em um mercado com boas oportunidades. A iniciativa foi a primeira a ser implementada na penitenciária e 77 reeducandos já passaram pela capacitação.

O “Música para Alma” veio na sequência. 48 beneficiários tiveram a chance de aprender a tocar um instrumento musical ao integrar uma das três turmas já concluídas. A noção básica para manuseio do violão, porta de entrada para boa parte dos músicos, é calcada em teoria e prática. Muito além de querer formar profissionais da música, a presença de ações de cultura na prisão ajuda na ressocialização, impactando no comportamento dos recuperandos (leia mais sobre a metodologia desse projeto aqui).

Encerramento do "Música para Alma" - Foto: divulgação
Encerramento do "Música para Alma" - Foto: divulgação

De caráter psicossocial, “O Paz no Coração, Liberdade na Prisão” está na segunda turma, obtendo resultados na cognição e visão de mundo de 65 pessoas em privação de liberdade, importantes para o processo de retorno à sociedade. Idealizado pela terapeuta integrativa Rita Duenhas, que, ao lado de pessoas engajadas na causa do autoconhecimento, criou uma série de 21 dias de meditação e palestras para o público em detenção.

Além disso, a metodologia inclui a proposta dos alunos escreverem cartas relatando pontos que acreditam ser importantes para o próprio entendimento como indivíduo (veja aqui uma matéria completa sobre o tema). 

A digitalização da população em presídios é mais um ponto de atenção em Capela do Alto. Os participantes da primeira turma do “Olhar Para o Futuro”, encerrada no último mês de setembro, foram familiarizados com noções e conceitos básicos em informática, além da oportunidade desenvolver habilidades na utilização de softwares, aplicativos e utilitários livres, possíveis de serem utilizados como ferramentas de trabalho.

Natália Costa Santos, Diretora do Núcleo de Trabalho da Penitenciária de Capela do Alto, à frente dos projetos junto ao proponente Reginaldo José Vieira, Diretor do Centro de Trabalho e Educação, enfatiza que os beneficiários apresentam mudanças importantes no dia a dia.

Reeducando durante atividades do "Olhar Para o Futuro" - Foto: divulgação
Reeducando durante atividades do "Olhar Para o Futuro" - Foto: divulgação

Melhora no ânimo, na vontade de aprender e o desejo de participar de outros cursos dentro da penitenciária são pontos destacados pela dupla liderada por Marcelo Alves Corrêa, Diretor Técnico III da unidade. “É nítida a mudança que os reeducandos sofrem após os cursos, eles propiciam uma nova visão de convívio em sociedade”, explica Natália Costa.

Para Rochelly Tatsuno, Analista de Projetos do Ação Pela Paz, responsável pelo monitoramento das iniciativas realizadas na penitenciária, a junção de temas beneficia “não apenas a pessoa privada de liberdade, mas a todos, pois ela retornará à sociedade que ainda tem um olhar muito estigmatizado sobre esse público. É um esforço do Estado e sociedade civil”.

Sobre o SEMEAR

O Semear (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação do Recuperando) foi criado em 2014 por meio do provimento da Corregedoria Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de São Paulo e tem como parceiros a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e o Instituto Ação pela Paz. O programa busca maior efetividade na recuperação dos presos e suas famílias.

Veja abaixo o Relatório de Atividades SEMEAR 2021 e conheça outros projetos:

Se preferir acesse aqui e aproveite para ver outras edições do relatório.

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